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sobre o livro

Livro de estreia tão aguardado da poeta e performer de Botsuana Tjawangwa Dema, A costureira descuidada traz como um dos eixos condutores a questão do trabalho: sejam os trabalhos feitos pelas mulheres (como a costura presente no título e em vários poemas), o trabalho da maternidade (concretizado nas muitas mães que aparecem ali), o trabalho do luto, o trabalho de nomear o corpo feminino em culturas patriarcais, ou o trabalho do pai (mineiro que se desloca para trabalhar na África do Sul), seja, ainda, o trabalho dos limpa-chaminés que ganham um poema-bênção nesta coletânea. Isso para não falar no trabalho artístico presente na construção de seus poemas, que envolve cenas da memória e hábitos da infância, citação de mitos e personagens bíblicos, recortes de jornal, diálogos com outros poetas, com filósofos e com a tradição literária.

Se o trabalho pode trazer uma dimensão árdua, por outro lado ele se mostra muitas vezes coletivo, trazendo mãos e vozes femininas que convivem, se deslocam, labutam e participam dos diversos rituais que compõem este livro: o casamento, o luto, as formas de cuidado, as tarefas e passagens da vida. E se existe esta dimensão dura na lida diária, a tentativa de dar voz e de criar uma subjetividade para o lugar feminino por meio das palavras resulta numa forma sóbria e terna de olhar para o mundo.

Como escreve Kwame Dawes no posfácio do livro, “‘A costureira descuidada’ é uma boa imagem para o trabalho a que Dema se propõe neste livro. Sua coletânea é repleta de vozes — particularmente de mulheres, e às vezes a voz em primeira pessoa poderia muito bem ser a da própria autora, ou de algum outro corpo que ela esteja ocupando.”

A tradução é de floresta e o texto de orelha de Luiza Romão.

Título
A costureira descuidada
Coedição
Luna Parque
Tradução
floresta
Páginas
104
Formato
13,5 x 20 cm
ISBN
9786584574816
ISBN Digital
9786584574786
Data da publicação
10/12/2023

DESTAQUE

Ovário

As mulheres sabem
que às vezes há sangue
mas não morte; aprendem
a esconder o útero com os peitos,
a escolher o que se pode perder —
a receita milagrosa ou o bolo
para sempre no armário —
a esvaziar o copo
e se contentar
com absolutamente nada.

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