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sobre o livro

Os melhores ensaios sobre poesia são aqueles que se deixam contaminar pelos versos que comentam, até se tornarem verdadeiros poemas ou quase — e é exatamente isso que os leitores vão encontrar em A superfície dos dias, um ensaio tão poético quanto os textos que o inspiram.

O ensaio de Luiza Leite nos conduz a um passeio pela poesia que está ao redor, nos objetos corriqueiros e nas situações mais simples do cotidiano, dialogando com poemas que, de diferentes maneiras, deslocam a atenção para o que está bem perto dos nossos sentidos e, num clique, revelam bem mais do que sua aparência trivial entrega. Desconfiado de tudo que é grandioso, barulhento, reluzente, o gesto poético iluminado por Luiza Leite vai no sentido contrário, identificando, na leitura aguda e afetuosa de poetas de diferentes épocas, como William Carlos Williams, Cecilia Pavón, e Laura Liuzzi, as lições escondidas nessa poesia atenta ao que é mínimo, silencioso, discreto, quando, nas palavras da autora, “em vez de produzir um conhecimento abstrato que se pretende universal, o poeta repara na especificidade do que acontece em volta. Enquanto escreve, percebe tudo o que acontece, o vento, um fruto maduro, a luz demorando-se sobre as coisas”.

Título
A superfície dos dias: o poema como modo de perceber
Páginas
40
Formato
13,5 x 20 cm
ISBN
978-65-84574-64-9
Data da publicação
10/04/2023

Trecho

Trecho

“As coisas estão sempre ali, aqui, alheias, mas também à espera do nosso olhar. As crianças sabem disso naturalmente. Reparam nos detalhes mais óbvios, o ruído de fundo dos nossos dias, fazendo comentários como ‘a nuvem cobriu a lua’, ‘o gato está dormindo’, ou ‘a melancia é da cor da minha língua’. Certa vez me aproximei de um pasto com meu sobrinho, ainda bebê, no colo. Me espantei porque ele não reparou no touro imenso, bufando, do outro lado da cerca. Preferiu agarrar as folhas miúdas que brotavam de um galho acima de nós. Meu sobrinho não enxergou a palavra ‘touro’. Também não viu a palavra ‘arbusto’. Só os pequenos pedaços de verde. O touro, sem tamanho, permaneceu invisível.”