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sobre o livro

Esta antologia reúne poemas de Josephina Álvares de Azevedo (1851- c. 1913), Narcisa Amália (1852-1924), Auta de Souza (1876-1901) e Gilka Machado (1893-1980), quatro poetas brasileiras nascidas no século XIX, cujas obras têm despertado interesse crescente nesse momento em que a poesia brasileira se debruça sobre a própria história, a fim de ouvir as tantas vozes femininas e negras silenciadas durante tanto tempo.

É uma pequena e preciosa mostra da poesia escrita por essas mulheres, com o intuito de convidar leitoras e leitores a ampliar seu conhecimento sobre autoras que, a despeito da qualidade de suas obras, foram quase sempre apagadas da historiografia literária, no mesmo mês em que o Círculo de Poemas lança a mais completa edição da poesia da grande — e também “esquecida” — precursora da literatura negra e feminina entre nós, Cantos à beira-mar e outros poemas, de Maria Firmina dos Reis.

Os poemas aqui reunidos nos fazem também refletir sobre o que se passou desde o tempo em que essas mulheres eram praticamente proibidas de escrever até o momento atual, em que a face principal da poesia brasileira é feminina. Como afirmam as organizadoras da antologia, Ana Rüsche e Lubi Prates, dois nomes importantes da produção poética nacional escrita no século XXI, “se escrevemos poesia hoje, também é pela obstinação e pela força dessas oito mãos, que juntas nos amparam nesta longa História”.

Autoras

Josephina Álvares de Azevedo (1851- c. 1913), Narcisa Amália (1852-1924), Auta de Souza (1876-1901) e Gilka Machado (1893-1980).

Título
Cardumes de borboletas: quatro poetas brasileiras
ORGANIZAÇÃO
Ana Rüsche e Lubi Prates
Páginas
48
Formato
13,5 x 20 cm
ISBN
978-65-84574-61-8
Data da publicação
10/03/2023

Trecho

Primavera

Josephina Álvares de Azevedo

Oh! Na primavera as flores
São outras, tem mais frescura;
Tem mais vida, mais odores,
Tem uma seiva mais pura.

O campo é mais verdejante,
As fontes mais cristalinas,
A brisa mais sussurrante,
As rosas mais purpurinas.

Cardumes de borboletas
Doidejam pelos valados,
Pousando alegres, inquietas,
Nos castos lírios nevados.

As gotas d’água, trementes,
São perlas amarantinas
Que brilham, belas, algentes,
Pelas relvosas campinas.

Oh! Na primavera as flores
Têm outra seiva no seio…
Assim também os amores
Têm outro encanto, outro enleio.