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Coleção César Aira vol. III
- Autor(a): César Aira
Neste terceiro volume da coleção César Aira, uma nova leva de novelitas inéditas no Brasil dão a ver a criatividade inesgotável deste que é um dos mais importantes escritores da América Latina. Desde uma paródia que mistura conto de fada e relato bélico, passando por uma história contundente sobre violência de gênero, um conjunto de não ficções literárias sobre a vida e o tempo, até um romance pampeano mais recente e premiado, esta caixa reúne diferentes reflexões acerca dos modos de fazer literatura. Com as típicas reviravoltas inesperadas, Aira nos convida uma vez mais a observar sua constelação, mostrando que o nonsense não tem menos poder do que o realismo para tratar de questões geopolíticas, sociais e metafísicas
A princesa Primavera
Numa pequena ilha na América Central, a Princesa Primavera vive tranquila com sua governanta. Para sustentar o castelo, ela trabalha arduamente como tradutora de livros populares, sendo exemplar no ofício. Um dia, porém, a ilha é ameaçada pela invasão do General Inverno e do comandante Pinheirinho de Natal. Tem-se início a guerra, e com ela uma aventura enlouquecida acompanhada de uma profusão de personagens igualmente delirantes.
Para a mente criativa inesgotável de César Aira, parodiar o gênero tradicional dos contos de fadas seria simples. Assim, nesta novelita, ele também subverte a fábula e o relato bélico, aproveitando para refletir sobre os estigmas da qualidade literária, sempre surpreendendo quem a lê. Afinal, segundo Victor da Rosa no posfácio à edição, para Aira “o que importa é a surpresa e a invenção literária, e isso certamente o leitor encontra em A Princesa Primavera”.
Eu era uma mulher casada
Sob influência do título, pode-se pensar que esta novelita trata apenas da vida matrimonial. De fato, a protagonista conta o martírio de estar casada com um homem maldoso, violento, desempregado, adicto de drogas, isto é, um verdadeiro fardo que vive lhe pregando peças. O horror e o absurdo do cotidiano dessa trabalhadora residem não só nas privações, mas na sua mente e no seu corpo, que aos poucos vão padecendo.
No entanto, ao nos embrenharmos nas voltas narrativas de César Aira, que remontam às geometrias labirínticas de Borges, como afirma Ana Paula Pacheco em posfácio à edição, chegamos ao imprevisível: o relato passa a tanger reflexões estéticas sobre representação, alegoria, metáforas, recursos “contra o excesso de realismo” e culmina no surgimento inesperado de um palhaço, levando-nos mais uma vez ao início: o engodo patriarcal sofrido por uma mulher casada.
Artforum
Leitor ávido da Artforum, revista estadunidense fundada nos anos 1960 para tratar de arte moderna e contemporânea, César Aira dedica esta espirituosa coletânea de textos à sua obsessão pelo periódico. Espécies de ensaios ficcionais, os relatos são sempre disparados por um episódio peculiar relacionado à Artforum.
Seja uma tarde em que ele compra vinte e quatro edições num ato de colecionismo apaixonado, seja a dificuldade de adquiri-las por meio de uma assinatura, ou ainda a melancolia causada pelo atraso de seu recebimento, cada incidente nos leva a refletir sobre amizade, inexorabilidade do tempo e mistérios cotidianos guardados até num pregador de roupas. Com humor tragicômico e neurótico, as peripécias são surpreendentes, afinal, como afirma Franklin Alves Dassie em posfácio à edição: “não saber o que esperar do próximo parágrafo ou de cada uma das partes é uma das qualidades que torna a escrita de Aira ‘eloquente’”.
N’O Pensamento
Vencedor do prêmio Finestres de 2024, este singelo romance de formação se passa n’O Pensamento, vilarejo próximo a uma estação de trem nos pampas argentinos. Nele, o narrador rememora o último período em que viveu ali antes de se mudar, cercado pelo carinho da mãe e impactado pelo poderio do pai, um homem de negócios que acaba por comprar quase tudo a sua volta. De suposta matriz autobiográfica, o enredo se transforma inesperadamente depois da chegada de um tutor cosmopolita e do desaparecimento inexplicável da locomotiva que cruzava o povoado.
Assim, ao contrastar pampas e cidade, progresso e tradição, realismo e criatividade, atmosfera proustiana a toques de surrealismo, N’O Pensamento demonstra “uma imaginação altamente inventiva, destinada a urdir finais surpreendentes, repentinos e até arbitrários”, conforme afirma Ana Cecilia Olmos em posfácio à edição.
Autor
César Aira
Títulos
A princesa Primavera, Eu era uma mulher casada, Artforum, N’O Pensamento
Tradução
Joca Wolff e Paloma Vidal
Posfácios
Victor da Rosa, Ana Paula Pacheco, Franklin Alves Dassie e Ana Cecilia Olmos
Identidade visual e Capa
Celso Longo e Daniel Trench
Formato
10,5 x 15 CM
Papel
Bibloprint 60 g
páginas
176, 160, 128, 176 (640 TOTAL)
ISBN
9786560001695
ISBN Digital
9786560001701
Data da publicação
04/02/2026
