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07/06/2023

As lições de Nabokov

Jorio Dauster, tradutor de Vladimir Nabokov, fala sobre o ofício de traduzir o renomado autor russo

“Muita gente se pergunta por que um dos mais famosos romancistas do século passado – ou, a meu ver, de todos os tempos – é também o autor das Lições de literatura, Lições de literatura russa e Lições sobre Dom Quixote onde esquadrinha obras que vão de Jane Austen a James Joyce, de Gógol a Górki. A razão é dolorosamente simples: o riquíssimo aristocrata nascido em São Petersburgo no último ano século 19 chegou a Nova York em 1940 no maior miserê. E era apenas seu terceiro exílio forçado, tendo fugido da Rússia em 1917 na esteira da revolução bolchevique, da Alemanha em 1937 diante da ascensão nazista e agora da iminente ocupação da França pelas tropas de Hitler. Mas, apesar de ter se firmado como grande autor em russo durante os anos vividos em Berlim (onde ainda ganhava um dinheirinho dando aulas de russo, francês, tênis e boxe!), no Novo Mundo só lhe restava batalhar como professor universitário enquanto se reinventava como mestre também na língua inglesa.

E as aulas foram um sucesso estrondoso! Todos queriam ouvir aquela voz tonitruante, com sotaque carregado e vocabulário assombroso, capaz de desancar sumidades como Dostoiévski, Mann, Faulkner e Freud. Apesar de já balzaquiano, ficando careca e longe da forma física que ostentava na juventude, a fama de conquistador fazia com que sua esposa Véra sabiamente o acompanhasse quando ele ministrava suas lições de literatura às embevecidas alunas do Wellesley College – entre as quais a futura juíza da Suprema Corte norte-americana, Ruth Bader Ginsburg, que sempre o citou como parte relevante de sua formação intelectual. A carreira acadêmica de Nabokov só terminou em 1955, quando ele lecionava na Universidade Cornell e seu famoso romance Lolita se tornou um best-seller fenomenal.

Mas, graças à cuidadosa recuperação de suas aulas, décadas depois podemos ainda degustar seus ensinamentos literários e entender por que ele dizia:Os grandes romances são, acima de tudo, grandes contos de fadas.’

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